RIMBAUD

“A negro, E branco, I carmim, U verde, O azul:
vogais, de vós direi as matrizes latentes:
A, peludo corpete negro de luzentes
moscas volteando em pútrido, cruel paúl,

golfos de sombra; E, tendas, graça dos vapores,
lanças do gelo, brancos reis, tremor de umbelas;
I, púrp’ras, hemoptises, rir de bocas belas
na cólera, em remorsos embriegadores.

U, ciclos, vibrações divinas do verdeado
mar, paz dos apascentos, paz do enrugado
que a alquimia imprime às frontes sobre os fólios;

O, supremo Clarim, cheio de silvos fundos,
silêncios trespassados de Anjos e de Mundos:
— O de Ómega, raio violeta dos Seus Olhos.”

Rimbaud 

(Voyelles)

(Trad. Jorge Vilhena Mesquita)

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