MÁRIO DE ANDRADE

“Aceitarás o amor como eu o encaro?…

…Azul bem leve, um nimbo, suavemente

Guarda-te a imagem, como um anteparo

Contra três móveis de banal presente.

.

Tudo o que há de melhor e de mais raro

Vive em teu corpo nu de adolescente,

A perna assim jogada e o braço, o claro

Olhar preso no meu, perdidamente.

.

Não exijas mais nada. Não desejo.

Também mais nada, só te olhar, enquanto

A realidade é simples, e isto apenas.

.

Que grandeza… A evasão total do pejo

Que nasce das imperfeições. O encanto

Que nasce das adorações serenas.”

 

In: SOARES, Angélica – Gêneros Literários.

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