II

II

 

Ritmado andar azul

e calculado

de um solene pavão

•— longa cauda em flor,

ad&rno de linguagem

e proteção.

 

Num grito gutural,

agudo como soluço do mundo,

o súbito apelo da solidão,

no corpo prolongado

de plumas e surpresas.

 

Ao ver-se observado

desabrocha em súbito arco-íris,

provando que a beleza

pode ser escudo iluminado

e que a vaidade

 

lhe confere uma auréola de certeza

na inutilidade.

 

Dentro da paisagem

cortada de pássaros

um voo se cala,

enquanto o pavão cintilante,

aberto em primavera,

caminha pela terra um orgulho

sincopado,

sabendo que a natureza

derramara nele

um gesto distraído e delicado,

no instante em que criava o verme

e sonhava a estrela.

GARAUDE, Lupe Cotrim.  Cânticos  da terra

Lupe Cotrim

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